Nasci e cresci em São Paulo, mas foi em Bertioga, durante as férias de infância, que aprendi a olhar. Cresci vendo o mar tocar a areia, nesse gesto contínuo de ir e vir, onde tudo é passagem.
A praia tornou-se meu espaço de contemplação. Ali nasceram minhas primeiras fotografias — e minha visualidade: a textura, a cor, o movimento. O encontro entre mar e terra sempre me pareceu um limiar, um limite impreciso entre permanência e desaparecimento.
Sementes, galhos, fragmentos trazidos pelas ondas repousam na areia como vestígios do tempo. Ao fotografar esse território, o clique suspende o instante e devolve presença ao que já não vive.
São Paulo também me formou, com seu ritmo denso e seus ciclos, como o carnaval, onde sonho e realidade se misturam. Ainda assim, é na praia que reconheço minha origem sensível — um lugar onde o cotidiano silencia e a arte começa.
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